2026-04-07
A MARP – Associação das Mulheres Agricultoras e Rurais Portuguesas manifesta a sua profunda preocupação com o agravamento da crise alimentar que afeta o país, diretamente ligada à perda de soberania alimentar e ao enfraquecimento do setor produtivo nacional.
Os custos de produção atingiram níveis incomportáveis – energia, combustíveis, fertilizantes e rações registam aumentos brutais – enquanto os preços pagos à produção continuam esmagados, muitas vezes abaixo do custo real. Esta realidade não é um acaso: é a consequência de um modelo injusto que favorece a grande distribuição e penaliza quem produz.
Ao mesmo tempo, assiste-se a uma escalada dos preços ao consumidor final, revelando uma cadeia alimentar profundamente desequilibrada, marcada pela especulação e pela concentração de poder económico. Enquanto os produtores recebem cada vez menos e os consumidores pagam cada vez mais, alguém está a lucrar com esta crise – e não são os agricultores nem as populações.
A situação no terreno é hoje ainda mais grave: muitos são os pequenos e médios produtores que enfrentam já enormes dificuldades para semear e trabalhar a terra, devido à falta de meios financeiros. Sem apoios eficazes e com sucessivos prejuízos, cresce o risco real de abandono forçado da atividade agrícola.
Este abandono terá consequências profundas: a concentração da terra nas mãos de poucos, o desaparecimento de milhares de pequenos e médios produtores, o agravamento das desigualdades no mundo rural e impactos ambientais severos, como o aumento do risco de incêndios, a perda de biodiversidade e a degradação dos solos.
A MARP denuncia que os apoios destinados aos setores agrícola e florestal são muito insuficientes, perante os impactos das recentes intempéries e as consequências da guerra nos mercados internacionais. Os apoios anunciados revelam-se desajustados à realidade e incapazes de responder à dimensão da crise.
O Governo tem de implementar medidas adequadas e ajustadas à gravidade da situação, a fim de não agravar o abandono forçado do setor agrícola. É urgente proteger a produção nacional e evitar que o país se torne cada vez mais dependente do exterior, para não comprometer ainda mais a nossa Soberania Alimentar.
Perante este cenário, a MARP exige uma mudança imediata de rumo:
As produtoras e os produtores não podem esperar mais. Sem Agricultura Familiar, sem agricultores, não há alimento, não há território, não há futuro. É urgente agir.
Coimbra, 07 de Abril de 2026