2026-03-19

Agricultores exigem medidas de apoio face à subida dos preços dos combustíveis e dos fertilizantes

O preço gasóleo agrícola não pára de subir desde o início da Guerra no Irão, tendo já aumentado cerca de 30%, um aumento brutal em menos de três semanas e que, em proporção, é superior ao do gasóleo rodoviário.

Ao aumento da factura com os custos energéticos somam-se os aumentos dos fertilizantes (mais de 35% da ureia comercializada passa pelo Estreito de Ormuz) e a perspectiva é de subida dos restantes factores de produção.

Estes incrementos vêm agravar a situação de muitos milhares de agricultores que já se encontram numa situação muito difícil devido às intempéries dos meses de Janeiro e Fevereiro e, também por isso, são necessárias medidas de apoio a este sector que é essencial para alimentar a população.

As medidas anunciadas quarta-feira pelo Primeiro-Ministro na Assembleia da República não contemplaram o sector agrícola. A CNA quer acreditar que se tratou de um lapso e que na reunião de hoje o Conselho de Ministros considere o sector agro-florestal como estratégico, reconheça a situação difícil dos agricultores e concretize medidas de apoio que tenham efeitos imediatos.

A CNA propõe desde já:

  • Equivalência nas medidas de apoio previstas para as restantes actividades económicas. É necessário atenuar e reverter os efeitos de mais de 30 cêntimos de aumento acumulado no gasóleo agrícola;
  • Controlo efectivo do mercado energético, com a regulação de preços;
  • Criação de um programa de compras conjuntas de fertilizantes e outros factores de produção, de forma a permitir a aquisição destes produtos a preços mais favoráveis;
  • Combate à especulação dos preços, quer nos factores de produção, quer nos restantes agentes da fileira, de forma a impedir aproveitamentos da situação para a maximização de lucros. Os controlos devem ser efectivos e constantes;
  • As medidas têm de chegar a todos os agricultores, principalmente à Agricultura Familiar.

Se não agir de imediato, com medidas destinadas ao sector, o Governo está a abandonar os agricultores à sua sorte podendo inviabilizar toda uma campanha de produção, já de si bastante comprometida.

 

A Direcção da CNA

Coimbra, 19 de Março de 2026