2026-02-10

Cheias no Baixo-Mondego: centenas de milhares de euros de prejuízos na agricultura

A ADACO – Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra manifesta toda a sua solidariedade às populações e principalmente aos agricultores afectados pelas últimas tempestades no Distrito, que deixaram um rasto de destruição.

Mais uma vez o Baixo Mondego foi afectado pelas cheias. Mais uma vez não se fez a monitorização devida do Canal de Rega, do Leito Periférico, das Estações de Bombagem (das seis que o projecto hidráulico previa só funciona uma), dos sifões e “fusíveis” instalados, de forma a divergir caudais e descargas ao longo do percurso das águas do Mondego e afluentes.

A situação das cheias só será resolvida quando se fizer a regularização do Rio Ceira, se construir a barragem de Girabolhos e se terminar o emparcelamento agrícola no Baixo-Mondego.

Os prejuízos causados na Agricultura e Floresta no distrito foram avultados, sendo que na horticultura ultrapassam o meio milhão de euros, para além de destruição de telhados de armazéns agrícolas, de dezenas de estufas, assim como milhares de árvores e oliveiras arrancadas.

É urgente o rápido levantamento dos prejuízos junto dos agricultores, a simplificação dos processos administrativos e que as indemnizações e os apoios se concretizem e cheguem de forma célere aos produtores.

Perante as medidas anunciadas pelo Governo para este sector, que são, mais uma vez, insuficientes e carecem de clarificação, a ADACO considera que os apoios devem ser a “fundo perdido”. As linhas de crédito, num sector descapitalizado e em muitas situações já com dívidas à banca, não resolvem os problemas, apenas os agravam; de igual forma, importa assegurar com celeridade a limpeza e arranjo de caminhos de acesso aos campos, instalações elétricas, valas e canais de rega.

Os agricultores continuam a ter grandes dificuldades em fazer seguros, nomeadamente seguros multiriscos, tornando-se cada vez mais evidente e urgente concretizar a criação de Seguros Agrícolas Públicos, adequados à realidade das produções.

Os impactos na agricultura têm uma abrangência territorial muito superior aos 69 concelhos anunciados (Tábua e Oliveira do Hospital no distrito de Coimbra estão de fora e tiveram imensos prejuízos), pelo que as medidas de apoio devem ser readaptadas de forma a abranger todos os agricultores e produtores florestais afectados.