2026-10-08
A UABDA convoca os agricultores para um buzinão na Estrada Nacional 109, em Ovar, no dia 14 de Outubro. A concentração está marcada para as 10h30, junto ao Moisés dos Leitões. A marcha pretende protestar contra o aumento do preço dos combustíveis, exigir a redução dos custos dos factores de produção e reclamar preços mais justos pagos à produção.
Segundo a organização, o preço dos combustíveis, dos fertilizantes e de outros factores de produção disparou após o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, a 28 de Fevereiro. O gasóleo agrícola aumentou cerca de 60 cêntimos por litro, os fertilizantes subiram 50% e há constrangimentos no abastecimento. A UABDA salienta que, só no primeiro semestre, a Galp registou 800 milhões de euros de lucros, enquanto os agricultores e as famílias atravessam dificuldades.
A pressão sobe também do lado dos preços pagos à produção. A UABDA afirma que os agricultores "não aguentam mais reduções nos já baixos preços pagos pelo leite", que desceram 8 cêntimos por litro só este ano. A estes valores somam-se os elevados custos de produção e os prejuízos causados por incêndios e tempestades, o que coloca em causa a viabilidade de muitas produções.
Para a organização, os agricultores estão "reféns da ditadura dos preços da indústria e da grande distribuição, que acumulam milhões de lucros à custa da vida difícil de quem trabalha no campo".
Perante o que classifica como uma situação limite da agricultura nacional, a UABDA considera que o acordo comercial UE-Mercosul pode ser "a machadada final na produção nacional", sobretudo nos sectores da carne (bovina, suína e aves), das frutas, dos cereais, do leite e do mel.
O acordo permitirá a entrada em Portugal de milhares de toneladas de produtos sem tarifas e com menores custos de produção, provenientes de explorações de muito maior dimensão e que não estão sujeitas ao cumprimento das mesmas regras sanitárias, ambientais e sociais. Na perspectiva da organização, isto pressiona ainda mais em baixa os preços pagos à produção nacional.
A UABDA acusa o Governo de "não querer saber dos agricultores" e sustenta que os apoios anunciados "são insuficientes e nunca chegam". Segundo a organização, o Executivo:
A marcha assenta em três reivindicações: contra o aumento do preço dos combustíveis, pela redução do preço dos factores de produção e pelo aumento dos preços pagos à produção.
A UABDA apela à participação de agricultores, famílias e população em geral.
