2026-09-17

Governo anuncia medidas para pagar pela morte de javalis, mas esquece-se de medidas para pagar os prejuízos sofridos pelos agricultores lesados.

Foi noticiado que o Ministério da Agricultura e Mar prepara um projecto-piloto que prevê uma compensação financeira por cada javali abatido em zonas onde seja identificada uma população excessiva. No caso dos machos, o valor apurado é de 50 euros por cabeça. Os caçadores irão também receber 70 euros por fêmea. O projecto visa reduzir em pelo menos 10% a população da espécie.

A ADACO considera que esta medida é um lenitivo que não vai resolver o problema, dado o excesso de animais e a redução do número de caçadores ano após ano. Deixar nas mãos dos caçadores e das suas organizações a redução dos efectivos de javalis não irá mudar o cenário que temos actualmente.

Em 2019, calculava-se em cerca de 100 mil o número de javalis em Portugal, valor que, em 2024, segundo um estudo da Universidade de Aveiro, andaria perto dos 400 mil.

Em 2026, o número de animais já ultrapassará estes valores, dada a facilidade de reprodução destes animais.

Aos prejuízos sofridos pelos agricultores, que aumentam ano após ano, soma-se o perigo real de se precipitarem problemas graves ao nível da sanidade destes animais, com destaque para a peste suína africana. São também cada vez mais os acidentes rodoviários com javalis, alguns dos quais já provocaram várias mortes.

O que o País precisa é de medidas que alterem este cenário radicalmente.

O que é preciso é que o Governo implemente um controlo de densidade eficaz, de forma a reduzir drasticamente a sobrepopulação de javalis.

O Governo tem que encetar esforços no sentido de aumentar a taxa de extracção (abate de animais ou outras medidas), de forma a reduzir em 60% o efectivo. De outra forma, o problema não se resolve.

Os agricultores não podem continuar a suportar sozinhos os enormes prejuízos causados à Agricultura Familiar pelos javalis, que têm devastado hortícolas, milheirais, outros cereais, pomares, estufas, olivais, vinhas, soutos e até floresta nova.

São urgentes a atribuição de “indemnizações”, de forma expedita e desburocratizada, aos lesados, a partir do levantamento dos prejuízos, a fazer, designadamente, pelos serviços do Ministério da Agricultura e Mar e do ICNF.

Sem estas medidas, continuará a aumentar o número de javalis e a agricultura familiar deixará de existir.

E os principais culpados são os sucessivos Governos que, desde 2017 (incluindo o actual), não tomaram medidas concretas de combate a este flagelo.

A Direção da ADACO

Coimbra 17 de Setembro de 2026