Explorações agrícolas familiares severamente afectadas pelo "escaldão" ou "queima" da vinha

A CNA promoveu hoje uma visita com a comunicação social a uma exploração agrícola familiar da freguesia da Marateca, Palmela, severamente afectada pelo "escaldão" ou "queima" da vinha.

Os efeitos do calor excessivo que se fez sentir na exploração de 6 hectares de Francisco Severino, 72 anos, e Maria Zulmira Severino, 68 anos, foram devastadores.

Nos 5,5 ha de vinha, o "escaldão" ou "queima" atingiu 80% da vinha Moscatel e 50% da vinha Castelão. Também o meio hectare de horta e pomar sofreu danos consideráveis, situação que se repete por outras explorações agrícolas da região e por outras regiões do país.

Maria Guilhermina Oliveira, que tem um hectare de vinha, horta e pomar, viu também a sua produção afectada.

A já difícil situação de grande parte das explorações agrícolas familiares, com as dificuldades de escoamento da produção a preços justos, é bastas vezes agravada por intempéries cada vez mais frequentes. Colheitas devastadas significam que se perde um ano inteiro de trabalho e o rendimento da exploração.

Só um sistema de seguros público pode responder às necessidades da Agricultura Familiar

Num contexto de crescente instabilidade climática, calores extremos, chuvas, granizos e vendavais fora de época, além dos prejuízos directos provocam situações descontroladas de pragas e doenças. Face a esta realidade, é imprescindível a existência de um sistema de seguros eficaz para a manutenção do sector agro-pecuário e florestal.

A CNA reafirma que o actual sistema comercial de seguros, caro e com coberturas desadequadas, com fraca adesão dos agricultores, não responde às necessidades do sector. A CNA reclama a criação de um seguro público, ajustado às explorações agrícolas familiares. Esta é, aliás, uma medida que deve vir a ser consagrada no Estatuto da Agricultura Familiar.

Nesta visita, e no contexto de dificuldades vividas pela Agricultura Familiar, a CNA anunciou a realização de uma Concentração de Delegações de Agricultores e Dirigentes Agrícolas, em Lisboa, a 8 de Novembro, frente à Assembleia da República, com ponto de encontro no Largo do Príncipe Real.

Trata-se de uma iniciativa para propor e reclamar medidas, nomeadamente as que devem ser alocadas no Orçamento do Estado para 2019, e em especial naquilo que toca à Agricultura Familiar, pelo direito a produzir e viver do seu trabalho.

2 de Outubro de 2018


- Comunicado CNA