BALAGRI e CNA com Agricultores e População do Distrito de Viseu

Grande Indústria da Madeira pulveriza eucaliptais no Caramulo e Baixo Vouga e coloca Abelhas em risco.

Após um recente encontro entre a BALAGRI – Associação dos Baldios e Agricultores da Região de Viseu, a CNA e Apicultores da Serra do Caramulo, ficou claro o sentimento de impunidade com que bastas vezes actua a grande Indústria de Transformação de Madeira, no caso de Eucalipto, que fez aplicações de pesticidas, no Caramulo e no Baixo Vouga, para controlar o “gorgulho” nos seus Eucaliptais, de 15 a 20 de Maio, em plena época de floração de árvores e outras plantas. Ora, isto pode ameaçar, e bastante, a vida normal das comunidades das Abelhas e, consequentemente, fazer reduzir a Produção do bom Mel desta Região.

Já não bastavam aos Apicultores os enormes prejuízos causados pelos fogos que resultaram na perda de centenas de colmeias, mais os prejuízos causados pela “vespa asiática”, mais as alterações climáticas que desregulam sem pré-aviso os padrões normais de chuvas e temperaturas causando prejuízos directa e indirectamente na produção do Mel, para agora ainda levarem em cima com este “flagelo” das pulverizações generalizadas que ameaça muitas e muitas colmeias e pode provocar uma diminuição do Mel produzido e a produzir.

BALAGRI e CNA reclamam ao Governo e demais Órgãos de Soberania deste País que tomem medidas no sentido de esclarecer completamente esta situação e para responsabilizar quem age de modo irresponsável com este tipo de pulverizações de pesticidas enquanto mantém em baixa os Preços da Madeira na Produção.

Ao mesmo tempo, reclama-se ao Governo que apoie os Apicultores da Serra do Caramulo que vêem as suas produções de Mel com quebras de 60% a 70% e, por outro lado, vêem os custos de produção com aumentos brutais de até 300%!


Pela inclusão dos Concelhos do Distrito de Viseu que tiveram Fogos violentos em 2017, em Programa específico de apoio à Agricultura e à Floresta como têm Concelhos afectados em outros Distritos vizinhos.

A BALAGRI e a CNA questionam o Governo, mais uma vez, sobre a razão que levou à não-inclusão de concelhos do distrito de Viseu (e da Guarda) no chamado “Programa de Revitalização do Pinhal Interior” que dispõe de alguns apoios “especiais” e abrange concelhos nos vizinhos distritos de Coimbra, Leiria e Castelo Branco, os quais foram vítimas dos terríveis incêndios de 2017.

Reclama-se saber o(s) motivo(s) de tal discriminação pois não se compreende como pode o rio Mondego, na sua margem esquerda, e virado a Sul, ver os territórios ardidos serem apoiados por um Programa Governamental específico para os Incêndios enquanto que os territórios “ardidos” da sua margem direita e virados a Norte, não terem direito a um cêntimo desse mesmo tipo de apoio específico. Eis pois uma questão de discriminação inadmissível!

Entretanto continua-se à espera dos prometidos Parques de Armazenagem de Madeira Ardida, nas condições de Preços prometidas pelo Ministro da Agricultura. Parques que, diziam, iriam ser uma ajuda para não deixar cair o preço das madeiras pago ao produtor.

Mais apoios para Agricultores afectados pelas Intempéries

É necessário e urgente que o Governo apoie, mais e melhor, os Agricultores dos concelhos de Lamego e Armamar que foram vítimas das recentes intempéries que se abateram sobre o Norte e o Nordeste do País. A tempestade que se abateu sobre estes dois concelhos do distrito de Viseu provocou prejuízos enormes, em alguns casos perdas totais de produção de fruta, hortaliças e vinha, danificando também, armazéns, estufas, caminhos e suportes de terrenos em explorações agrícolas.

Saliente-se que muitas das explorações agrícolas familiares não têm, e por falta de dinheiro não conseguem ter, seguro agrícola o que as coloca numa situação de enorme vulnerabilidade e desespero pois num só dia viram todos os seus investimentos e rendimentos serem destroçados e deitados por terra pelo granizo, pela chuva e pelo vento. Urge pois intervir de outras e mais eficazes formas de apoio concreto para que não se assista ao desânimo destes produtores que possa agudizar ainda mais o já grave problema de abandono de explorações agrícolas no interior do País.

Divulgação do “8º Congresso da CNA e da Agricultura Familiar”
e pelo “Estatuto da Agricultura Familiar Portuguesa”


Representantes da BALAGRI e da CNA estiveram na Feira semanal em Viseu e na Feira semanal em Tondela a distribuir um documento de divulgação das principais conclusões, e imagens, do “8º Congresso da CNA” realizado em Abril deste ano.

Oportunidade para um contacto muito directo com centenas de Agricultores e de outros sectores da População que de uma forma geral se mostraram receptivos.

Destaque ainda para a reafirmação da importância estratégica da consagração oficial do “Estatuto da Agricultura Familiar Portuguesa” na base das propostas que a CNA tem apresentado, por forma a compensar os Agricultores de tipo Familiar pela produção e defesa de Bens e Serviços Públicos indispensáveis às Populações e ao País.

Neste contexto, e tendo até em conta declarações do Ministro da Agricultura nomeadamente durante o “8º Congresso da CNA” em que, aí, reconheceu a justeza dessas propostas da CNA, muito se estranha já que, até hoje, ainda não tenha sido divulgado o Decreto-Lei do Governo que consagra o “Estatuto da Agricultura Familiar Portuguesa” e tal como assumiu o Ministro da Agricultura.

Balagri e CNA reclamam que o “Estatuto da Agricultura Familiar Portuguesa” se repercuta já nas dotações do Orçamento de Estado para 2019.

Em defesa da Mundo Rural da Região e da Soberania Alimentar de Portugal!

10 de Julho de 2018


- Comunicado PDF