Via Campesina: “Saudamos as Lutas das Mulheres Trabalhadoras nos Campos e nas Cidades”

Hoje, Dia Internacional da Mulher, nós as mulheres da Via Campesina, das diversas organizações, formas de luta e de organização; camponesas, indígenas, negras, mestiças, pescadoras, pastoras, mulheres da cidade e do campo, fazemos chegar uma Saudação Especial às Mulheres do Mundo.

Às mulheres que lutam, às que batalham para conquistar o pão, a participação política, a igualdade de direitos, a equidade, o reconhecimento do nosso trabalho, produção e saberes, na construção de um mundo mais justo entre homens e mulheres.

Um reconhecimento às mulheres que lutam, a cada dia e a cada instante, pelo fim da violência contra as mulheres crianças, jovens, e contra qualquer ser humano, às que rompem silêncios, às que enfrentam a opressão capitalista e estrutural e que não aceitam as formas patriarcais incrustadas nas diferentes sociedades que as violentam, discriminam, exploram, oprimem e assassinam quotidianamente. Somos chamadas permanentemente a fazer eco do nosso lema de resistência dizendo “Basta de Violência contra as Mulheres!”, uma campanha em curso e reassumida na nossa VII Conferência Internacional da Via Campesina no País Basco, em Julho de 2017.

Saudamos as mulheres que não têm medo de lutar das mais variadas formas, em cada cultura e em cada espaço. Na luta pela Terra, na luta pela Soberania Alimentar, pela Água, pelas Sementes, pela Agroecologia Campesina, na luta pela Educação, Saúde, nas lutas nas fábricas, no dia-a-dia, na luta das Mulheres pela emancipação política, económica e social. Valorizamo-nos solidariamente e reconhecemo-nos mulheres emancipadoras de sonhos, construtoras de novas sociedades, juntas com toda a classe trabalhadora do Mundo.

Também vivenciamos com preocupação a investida imperialista do capitalismo no Mundo, que tem uma relação intrínseca com o patriarcado, conservador e fascista, e que procura explorar cada vez mais as nossas terras, territórios e recursos naturais e, ao mesmo tempo, explorar o trabalho, a vida e o corpo das mulheres. Os nossos direitos são violados diariamente pelas multinacionais, que forçam migrações, conflitos familiares e sociais e alimentam guerras.

Somos violadas e muitas vulnerabilizadas na prostituição, pelo tráfico de mulheres e pela exploração sexual. Além disso somos criminalizadas por lutarmos, por não nos querermos mortas, por nos querermos vivas. Continuamos com o desafio de enfrentar a violência doméstica, as agressões físicas, psicológicas, morais, sexuais que muitas vezes acabam em suicídio, feminicídio e desaparecimento.

É por isso que hoje reafirmamos o nosso compromisso colectivo como movimento campesino mundial de carácter feminista e lutando por um mundo de justiça e dignidade, continuando a lutar pela igualdade de género, pela promoção e garantia da nossa participação política em todas as instâncias de tomada de decisão, de assumir acções práticas quotidianas e colectivas, muito além de discursos e moções, para pôr fim à violência contra todas as mulheres.

Sim, temos também muito que celebrar, desde as lutas pelas primeiras mulheres nas fábricas por melhores salários, melhores condições de trabalho e de vida. Sim, temos muito que celebrar pela contribuição das mulheres no mundo. Sim, também temos muito que celebrar pelas que lutaram pela participação das mulheres no sufrágio universal, pelo reconhecimento da igualdade de direitos. Uma homenagem às mulheres que ofereceram as suas vidas na luta pela reivindicação dos direitos das mulheres nos diferentes âmbitos, que foram torturadas, violações sexuais e morais, que desapareceram, foram presas, decapitadas, massacradas por defender a vida, a dignidade, a mãe terra, os direitos das mulheres. Por isso, seguiremos os seus exemplos, o seu legado deixado nos diferentes espaços de trabalho que, sem dúvida, nos acompanham em todas as dimensões.

Hoje sabemos que a conjuntura actual nos exige muito mais para garantirmos os nossos direitos, nos exige coragem para enfrentar o monstro maior que alimenta o patriarcado e todas as injustiças contra as trabalhadoras e os trabalhadores do mundo.

Nesse sentido, saudamos as acções, marchas, mobilizações, encontros e lutas das mulheres no mundo, enfrentando o patriarcado e o capitalismo que ameaçam a vida das mulheres, a natureza e a vida no planeta.

É por isso que dizemos que, Sem feminismo, não é possível construir uma nova sociedade!

Viva a luta das mulheres do campo e da cidade!

Abraço afectuoso das camponesas da Via Campesina a todas as mulheres que lutam em todo o mundo.

Descarregar: Basta de violência contra as mulheres!

Ler: Declaração Política V Assembleia das Mulheres da Via Campesina
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Website: www.viacampesina.org
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