Produtores Agrícolas e Florestais lesados pelos incêndios de 2017 “estupefactos” com medidas discriminatórias do ministro da Agricultura

O Ministro da Agricultura mostrou-se “estupefacto” pela luta dos produtores agrícolas e florestais lesados pelos incêndios, presentes na concentração em frente ao Ministério da Agricultura na sexta dia 2 de Fevereiro.

“Estupefactos” estão os produtores lesados com a última medida do seu Ministério em que apenas dá uma 2ª oportunidade a quem fez as candidaturas e não as entregou, e não contempla a quem apenas fez a declaração de prejuízos, que por alteração em cima da hora, deixou milhares de lesados de fora.

Ou seja são cerca de 600 os produtores lesados na área da DRAPC que não entregaram a candidatura e que agora vão ter a oportunidade de se recandidatarem; por outro lado são mais de 1000 os agricultores que só fizeram a declaração de prejuízos, e ficaram de fora.

Há discriminação, todos os que preencheram a declaração de prejuízos devem ter direito a terem a possibilidade de fazerem a candidatura para serem apoiados.

“Estupefactos” estão os milhares de produtores agrícolas afectados com os incêndios e que por um ou outro motivo não conseguiram fazer a candidatura, e ficam de fora por uma questão burocrática.

Há discriminação do Ministério da Agricultura que para os incêndios em Pedrógão deu o prazo de 3 meses para as candidaturas, e para os lesados pelos fogos na Região Centro, em Outubro, apenas deu um mês.

O Governo tem que abrir um prazo para que todos os agricultores afectados pelos incêndios e que ainda não se candidataram (e são milhares) o possam fazer.

“Estupefactos” estão os produtores florestais que não têm qualquer apoio para o que ardeu, e não viram criada nenhuma medida excepcional de apoio face aos prejuízos pelos incêndios.

O senhor Ministro de agricultura fala numa manifestação com fins “políticos”, mas a política dos presentes na manifestação, e de todos os quadrantes políticos inclusive do PS, é que todos sem excepção tenham direito aos apoios a que têm direito, no sentido de erguerem as suas explorações agrícolas destruídas, florestarem as suas matas e reporem os seus rebanhos.

Quem fez “política” foi o senhor Ministro da Agricultura que não esteve presente para receber os agricultores e produtores florestais afectados, e foi fazer inaugurações.

Pior é falar em Milhões e mais Milhões que diz estarem já na mão dos lesados e esse facto não acontecer na realidade, sendo que os Agricultores profissionais na sua maioria, ainda não receberam nenhuma ajuda até ao momento, nem acreditam que vão receber das candidaturas da medida 6.2.2. do PDR 2020 – a do “Restabelecimento do potencial produtivo” das Explorações afectadas, até final de Fevereiro de 2018, como o próprio Ministro anunciou hoje.

Na reunião com a Chefe de Gabinete do Sr. Ministro da Agricultura na passada Sexta-Feira (2 de Fevereiro), demos o prazo de uma semana para uma resposta por escrito ao nosso caderno de Reclamações então entregue.

Os agricultores e produtores florestais afectados pelos incêndios, em conjunto com as suas Organizações continuarão a sua luta até que vejam reconhecidos os seus direitos.



Coimbra, 5 de Fevereiro de 2018


ADACO – Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra - Isménio Oliveira
MAAVIM – Movimento Associativo de Apoio às Vítimas de Midões - Nuno Pereira
CNA – Confederação Nacional da Agricultura - João Dinis


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