CNA e ADACO reclamam Plano Integrado de Contingência para reposição e controlo de Efectivos de Ovinos e Caprinos

A CNA e a Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra (ADACO) reclamam ao Ministério da Agricultura a ao Governo a rápida definição de um Plano Integrado de Contingência para reposição e controlo de Efectivos de Ovinos e Caprinos, em especial da Ovelha Bordaleira Serra da Estrela, Plano com repercussões no Queijo Serra da Estrela e em outros Produtos Pecuários (Regionais) de Qualidade afectados pelos Incêndios Rurais de 15 (e 16) de Outubro de 2017.

Os Incêndios de Outubro mataram cerca de 1 000 Ovelhas Bordaleiras Serra da Estrela (raça autóctone em Livro Genealógico gerido pela ANCOSE) de entre um total de 5 000 cabeças de gado, principalmente Ovinos.

SECA era e continua a ser o contexto já de si difícil.

Assim, a CNA e a ADACO acabam de propor e reclamar ao Ministério da Agricultura e ao Governo a rápida aplicação de um “Plano Integrado de Contingência” na seguinte base:

Objectivos:

– Pela reposição dos Efectivos Pecuários, nomeadamente de Ovelha Bordaleira Serra da Estrela e pelo controlo das características desta Raça Autóctone.

– Pelo controlo da Sanidade Animal.

– Em defesa do Queijo da Serra da Estrela e de outros Produtos Pecuários (regionais) de qualidade.

– Em defesa dos interesses dos pequenos e médios Produtores Pecuários de Ovinos e Caprinos e seus derivados de qualidade.

– Contra as traficâncias e os traficantes.

– Pela recuperação sócio-económica e pela coesão territorial destes territórios fragilizados.

Note-se que este “Plano” é complementar a outras ajudas comuns já definidas (ou a definir) por causa da Seca e também já dos Incêndios.

Medidas práticas do “Plano Integrado de Contingência”:

• Planificação institucional (com base na DGAV-Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária) da reposição dos Efectivos “queimados” com prioridade para os Produtores (Pastores) mais tradicionais.

Essa planificação deve já vir a integrar a “recria” de Bordaleiras Serra da Estrela em curso na ANCOSE, Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Serra da Estrela.

Deve ainda controlar imediatamente o que está a acontecer com a “recria” (na região ou fora desta) de outras raças e deve apurar a origem e o estado sanitário dos Ovinos e Caprinos entretanto distribuídos na região de Oliveira do Hospital e de Tábua (pelo menos).

• Deve ser instituído um prémio especial para a recria – na base de 70 euros por animal, (fêmea) Bordaleira Serra da Estrela, manifestado em recria - e de 50 euros (para já durante 2018) por fêmea prenha e ainda no “alfeiro” - esta a parte do rebanho que é separada e maneada com as fêmeas ainda prenhas.

• A DGAV, em estreita colaboração com a ANCOSE, deverá fornecer gratuitamente animais, em especial Bordaleiras Serra da Estrela – fêmeas, para recria aos Produtores interessados que devem assinar um “termo de responsabilidade” para o efeito.

Parques de Recepção e Comercialização de Madeiras Queimadas

A CNA continua a reclamar ao Ministério da Agricultura e ao Governo a criação e gestão de numerosos Parques de Recepção (e comercialização) de Madeiras “salvadas” dos Incêndios deste ano e, em especial, dos incêndios de Outubro.

De salientar que uma Lei em vigor determina que o Governo assim deva proceder por forma a garantir algum rendimento reparador aos pequenos e médios Produtores Florestais. E para também promover a retirada das Madeiras ardidas da Floresta e facilitar, desde já, um melhor Ordenamento Florestal.

É urgente fixar os solos percorridos pelos Incêndios!

Mal vieram algumas chuvas e logo as cinzas e outros detritos provocados pelos Incêndios foram arrastados para as linhas de água, para ribeiros e rios – que já estão poluídos - o que põe em risco até a saúde pública.

Por isso, é indispensável - e é urgente - que Ministério da Agricultura, Ministério do Ambiente, Governo e Autarquias mais afectadas se dêem conta da catástrofe AMBIENTAL que já temos e que ameaça agravar-se e para que – com sabedoria – eficácia – recursos, designadamente financeiros – intervenham no terreno de forma preventiva, correctiva, planificada e abrangente. Antes que tenhamos de lamentar mais problemas e da maior gravidade!

Coimbra, 22 de Dezembro de 2017
A Direcção da CNA


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